25 dezembro 2010

O tropeço


Se num tropeço rasteiro perdes o dom da vida,
E de teus cúmplices de marcha, há quem diga
-Estás atrasado e por ai tu ficas!
Não desperdice o teu lamentar, tens a melhor vista!

Agora, olhos teus alcançam a direção que já tomaste,
As condutas de que antes falaste.
Os falsários com quem muito contaste,
e as certezas que sempre negaste...

Então, no teu cair, fruto de tua parca vigília,
Que tomada por fúteis hábitos e dissabores da vida
Num lapso apropriado, recém-parida,
Choram as tuas verdades e há mais quem diga:

-A paciência é uma virtude, siga!

07 dezembro 2010

O Despertar





Cabem aos sentimentos inócuos
O metamorfosear...
O meta-frasear que adormece,
Entre os piegas prazeres do saborear...

E cabem aos sensitivos férteis,
O transceder...
E trazer de lá pra cá, 
O mínimo que se possa experimentar...

Cabem aos sóbrios solitários
Interpretar o cosmo...
No pouco que lhe cabe à vista

E Cabem aos tantos uns e tantas outras 
Muita coisa que em meus versos não cabe...
Mas qualquer que seja o seu caber,
Faça o favor de lho fazer, antes que acabe.

21 novembro 2010

Espirais...




Cheguei de viagem ontem ao entardecer,
Na pior das hipóteses eu não teria viajado...
Isso porque eu sempre me levei comigo
Então eu não viajei...

O máximo que fiz foi afastar um pouco de mim,
E vi com três olhos o que microscópios não viam.
E não que eu tenha optado, mas vi o meu pior,
Então eu não viajei...

Meu intento foi ir pra um lugar longe e calmo...
Sentir um brisa bater no corpo, afogar-me num mar revolto
Mas não consegui nem ao menos sair de casa,
Que por sinal eu a vi toda desconcertada

Então eu não viajei..

08 novembro 2010

Co-Lapsos



Bateu em minha porta ontem,
O fruto de um lapso desavisado:

-Acorda doutor! ta tudo errado!

Não segurava minha bola de metal,
Esqueci-me com que paraíso sonhara...

-Doutor? Doutor?

Sim, Eis me aqui.

19 outubro 2010

Dar à Luz





O choro é de mãe, inquietude.
Pelo homem que se fez do menino.
Seu menino, a quem deu à luz
Luz do saber, luz de poder,,,

O choro é de mãe, em resguardo.
Que foge à sua clareza, do mundo,
Que teme a força que traga o imundo,
E do mundo é seu menino, pequenino...

O choro é de mãe, por temer...
Que sua asa não sombreie o bastante
E sem saber, que nessa sombra camuflante
Não está o seu menino, a quem deu à luz...

O choro é de mãe, de saudade...
De ser o refúgio mais seguro
O herói mais temido e protegido.

O choro é de mãe...
por ser hoje homem,
Quem era ontem o seu menino.

30 agosto 2010

Pôr do Sol

O pôr do sol
Por si só
Opõe-se ao óbvio.
Por si, Sol!
Em Sol menor
Propõe-se sóbrio
O Soul do pó.

09 agosto 2010

Louca, Move-te



A Louca move,
Comove, motiva...

A Louca cativa
A Louca emotiva

A locomotiva move
Louca, move-te.

05 agosto 2010

Mulher...





Teus encantos. É dos mais abastados
Sereno jeito de mulher, um artefato.
Quanto desejo senti pot ti, e de fato
És pra mim completa tentação, pecado...

Ao digerir sua presença encantadora
Fiz de mim simples cortêz, que outrora
Sonhara em arrancar-te sorrisos de pandora,
Sorver em seu cheiro, seus beijos e suas formas...

Que mulher magnífica és? em busca de aventuras...
Sedutora em sua meiguisse, é de seu olhar.
Possuidora de si e ninguem pra desfrutar, loucura!

É que talvez, no meu estado de pura hipnose
Não julguei-me competente o suficiente, nem por hora
E talvez se o fora, não seria aqui dos versos minha senhora...

03 agosto 2010

Sarcasmo Poético






Descontextualizando assim um principio moral
De caráter sincrético: O bom paladar social!
És possível estabelecer regras já findadas,
Como a praxe da então hipocrisia consumada?

Não sendo aos próprios paradigmas pertinentes,
Sabe enquadrá-las qual fosse a inferior mente.
E por ironia, com uma pequena gota de fracasso
Saboreia o amargo e gélido sabor do descaso...

Ora, se vejo então dentre tantos, alguém sentir,
É por quê tal anomalia moral há de servir.
Mas, quem por injúria erra em julgar, peca em proferir...

O pecado que por sua vez é puramente salutar
Toma assim como sugestão o aprender a perdoar
E como lixo é definido pelo incapacitado em reciclar...



30 julho 2010

Joana





És meu samba do que se tem mais saudade,
És a musa aliviadora de minha dura ansiedade
És de flor, feita tua prenda mais seduzida
És por ti, assim que entoam essas rimas..

Não que fores, o melhor dos meus amores,
Nem por eu admirar as sensuais curvas tuas
Ora por tua tenra pele macia, ora por tua vulva...
Mas é que me encontro em ti, como violeta e colibri.

Seja minha por mais essa noite, oh Divina!
Faz me viajar nos teus cantos mais profanos...
E goze o meu delirar que eu gozo o seu encanto!

Sem ti não vejo lua, sequer um pedacinho do céu,
Finjo de um modo racional, entender o abstrato mundo seu
Que por hoje seja minha, mas não me diga que amanheceu!

27 julho 2010

Pensamento



Se duvidar até com o marasmo eu caso...
Antes fosse que passar dias enclausurado,
Num veio farto de pedras brutas preciosas.

Preciosas, porém brutas...

25 julho 2010

Quês em Demasio






Que durante o sono, sonhastes,
Conquanto que não acordes num súbito:
- Incoerente pensamento perdido num ser
Diferente - Sejais, minuciosamente sejais...

Afora, Mundo eufórico por teus hábitos,
Mascarados, por teus falhos, sucumbidos fardos
Quê fazer? Oh não! quê fazer? seja são, em vão...

Vão por ai dizer, aclamar por tuas proezas,
Serás tu? ao fim de todo trajeto, dono do concreto?
Serás tu? fruto dos teus apegos e crônicos desafetos?

Quê se sabe de tua natureza, senão incertezas?
Porém, basta por instantes, de vidas errantes..
E chegue, mesmo miseravelmente e não reclame.

14 julho 2010

Soneto Sobre Si




Quem outrora soubera melhor senão Eu?
Que nos passos trocados pelos teus,
Haviam léguas que distavam entre os pólos
Do mártir mascarado que está entre Mim e Eu...

Se por ventura tu me avistastes antes,
Por que não acenastes? seria um sinal...
De que profunda eterna busca adiante
Não seria Tu nem Eu esperando no final...

Quereríeis Tu que andássemos juntos,
O Eu desesperado e o Eu moribundo
Que és meu cúmplice amado, calado e imundo

Quem outrora soubera melhor senão Tu?
Que vem procurando-me, tentando conhecer,
Que por mais que soubesse sobre Ti, Eu negaria em dizer...

11 julho 2010

Pra não dizer palavras...





Sobre quais dizeres irei aclamar?
Sem perdões, amores e senões fraquejar.
Entretanto nem de portas ou porões,
Muito menos sofrimento ou emoções.

Falarei vagamente do vazio do nada
Eis que me encontro então nessa temporada,
De solitude permante, "o intocável aparente"
Ao menos eu sei do que o corpo não sente.

Eis aqui mais um soneto de nada
Produzido sem objetivos nas horas vagas,
Agora sim, inicia-se a madrugada...

E quem melhor companheira senão palavras?
Falar sobre nada, é um tanto atraente
Flui assim de soslaio, sobre o tato da mente...

28 junho 2010

À Ninguém





O grande amor da minha vida chama-se Ninguém,
Ninguém sabe como me fazer feliz
Ninguém me ama como nunca fui amado
Ninguém sabe ser minha companheira,
E só Ninguém me entende completamente

Por Ninguém eu iria até o fim do mundo,
E eu nunca trairia Ninguém
Seria eternamente fiel à Ninguém.

Ontem eu sonhei com Ninguém,
Cantei pra Ninguém, sorri pra Ninguém
E assim como hoje, escrevo sempre pra Ninguém

E é por isso que me sinto realizado com Ninguém,
É tão bom acordar cedo e ouvir a voz de Ninguém,
Tomar café da manhã com Ninguém
É perfeito, surreal e sublime amar Ninguém

Mas sei que nada é perfeito,
Por isso temo machucar Ninguém
Mas também sei que Ninguém será bem compreensiva
Se algum dia eu errar, magoar e trocar ela por Alguém, Quem?

19 maio 2010

Dos Olhos Teus


No meu tímido disfarce, fingi não notar sua presença,
Mas da minha súbita insistência em fitar os olhos teus
Me foi revelado algo incontestável, peço: acredite apenas...

É que não sei dizer de outra forma senão com as palavras,
Ora abstratas - porém sem máscaras - uma mera confissão,
De que teu olhar teve sobre mim um certo efeito: Sedução.

Observei-a desde o momento em que se fez presente,
Da tua boca, entrevi além de seus sorrisos contentes.
Mas não pude evitar, olhava-te, mas não com a visão,
E quando assim o era, me tomava uma sublime sensação...

Sensação estranha, um pouco peculiar. um sentido? Paladar!
Eram os olhos teus fonte de tanto poder, como pode ser?
Eram os seus lábios, o alvo do meu querer, satisfazer?
Talvez, mas sem nenhuma prentenção, cabe ao acaso resolver...

06 abril 2010

Pra você (Quem?)






Pra você que é merecedora de mim..
É que ainda guardo o melhor do meu mel
Por você que eu temo não existir.
É quem procuro quando olho pro céu

Nas minhas fingidas aventuras noturnas,
Na minha fracassada eterna busca do ser
Nos meus devaneios mais que perfeitos
Não sou eu quem quero encontrar, é você!

E assim, com a mesquinha fé que me resta.
Ainda teimo por insistência e não por afeto,
É que aprendi a me virar sozinho, ora bolas!
Com tantas "você", de tanto achar que te encontrei...

Mas o estranho, é que não escrevo por carência.
Nem mesmo por essa físico-quimica dependência.
É por não conseguir entender, como todo mundo têm,
E eu nunca conseguir achar alguém, pra ser você...