25 dezembro 2010

O tropeço


Se num tropeço rasteiro perdes o dom da vida,
E de teus cúmplices de marcha, há quem diga
-Estás atrasado e por ai tu ficas!
Não desperdice o teu lamentar, tens a melhor vista!

Agora, olhos teus alcançam a direção que já tomaste,
As condutas de que antes falaste.
Os falsários com quem muito contaste,
e as certezas que sempre negaste...

Então, no teu cair, fruto de tua parca vigília,
Que tomada por fúteis hábitos e dissabores da vida
Num lapso apropriado, recém-parida,
Choram as tuas verdades e há mais quem diga:

-A paciência é uma virtude, siga!

07 dezembro 2010

O Despertar





Cabem aos sentimentos inócuos
O metamorfosear...
O meta-frasear que adormece,
Entre os piegas prazeres do saborear...

E cabem aos sensitivos férteis,
O transceder...
E trazer de lá pra cá, 
O mínimo que se possa experimentar...

Cabem aos sóbrios solitários
Interpretar o cosmo...
No pouco que lhe cabe à vista

E Cabem aos tantos uns e tantas outras 
Muita coisa que em meus versos não cabe...
Mas qualquer que seja o seu caber,
Faça o favor de lho fazer, antes que acabe.